Ja’ab como base do currículo do Buen Vivir: Aplicação em duas escolas primárias em Tulum, Quintana Roo
DOI:
https://doi.org/10.24215/26840162e014Palavras-chave:
Ja'aab, Península de Yucatán, buen vivir, educação indígena, bioculturaResumo
Em 2010, a Direção Geral de Educação Indígena Intercultural e Bilíngue do México comissionou docentes para implementar planos e programas de estudo da disciplina 'Língua Indígena' no nível de Ensino Fundamental. No caso da Península de Yucatán, professores comissionados se concentraram no desenvolvimento de um programa de estudo pertinente à cultura maia, integrando-o ao conceito de Buen Vivir. Esse programa tem como base fundamental o conhecimento, uso e manejo do ja’ab tanto pelos docentes quanto pelos alunos e seus familiares. Durante o ciclo letivo de 2021-2022 e 2022-2023, dois professores, coautores do programa de estudo, testaram um modelo de ja’ab oriundo de um processo de diálogo intercultural complementado com estudos de gabinete de material epigráfico maia. Ao longo de dez anos, a equipe intercultural Earth Timekeepers tem trabalhado na Península de Yucatán com uma metodologia inclusiva, exploratória e não impositiva. Os participantes são caracterizados por serem pessoas mais velhas que trabalham na milpa, praticam a apicultura, coletam chiclete, caçam de forma tradicional e observam os movimentos do Sol, da Lua e dos astros. Além disso, há promotores culturais, professores de escola, mayordomos de festas patronais, rezadores Aj Menob’, estudantes universitários e mulheres donas de casa. Todos coincidem que o início do ano Ja’ab é entre 13 e 15 de agosto de cada ano, e que meses como Keej (veado) ou Tséek (caveira) se referem a eventos de relevância ecológica e cultural. Isso reforça as conclusões dos estudos realizados pelos integrantes da equipe intercultural desde a arqueoastronomia e a epigrafia. No contexto do programa de estudo para o Ensino Fundamental na Península de Yucatán, focado no Buen Vivir, os professores projetaram um conjunto de exercícios práticos para duas escolas primárias. Os exercícios começam com a observação do Sol nas manhãs, onde as crianças registram o deslocamento aparente do astro. A partir disso, associam o evento do equinócio de 22 de setembro com o início da veintena Sip, significando a data 0 Sip do próprio Ja’ab. O conjunto de exercícios inclui visitar o local da comunidade onde se situam as pilhas de pedras de quatro rumos e reconhecer que estes existem desde a época pré-hispânica. A abordagem prática ao Ja’ab no contexto da sala de aula, do lar e da comunidade permitiu às crianças compreender o calendário e relacionar-se com ele de uma maneira significativa, seguindo os ciclos naturais e o Sol. Ao fazê-lo, docentes, pais e crianças ressignificam e reinterpretam o legado biocultural expresso em festas, rituais e atividades na milpa e no monte.
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