Da engenharia heterogénea às transições sócio-técnicas: o caso das Micro e Nano Tecnologias (MNT)
DOI:
https://doi.org/10.24215/23143924e051Palavras-chave:
inovação, tecnociência, transição, engenharia heterogênea, nanotecnologiaResumo
Embora algumas abordagens STS como a teoria actor-rede tenham sido criticadas pela sua incapacidade de produzir mecanismos explicativos das transições sócio-técnicas (Geels, 2007), o artigo mostra que tal teoria nos permite dar conta de uma transição sócio-técnica completa, desde a concepção de roteiros para laboratórios de I&D até à difusão de novos dispositivos técnicos na sociedade, sem renunciar a “seguir os actores” (Latour, 2006) e as suas práticas concretas e situadas. Para tal, analisamos as Micro e Nano Tecnologias (MNT) como um caso de transição e mobilizamos o conceito de “engenharia heterogénea” (Law, 1989) para explicar a capacidade de transformação social das práticas tecnocientíficas em vários locais-chave desta transição: comités internacionais onde são definidas prioridades tecnológicas e roteiros; laboratórios onde são inventados e concebidos novos dispositivos técnicos; plataformas de experimentação e transferência de tecnologia para a indústria; grandes programas de investigação e desenvolvimento onde académicos e industriais imaginam as utilizações destes novos artefactos e dão forma a novas infra-estruturas sócio-técnicas. A articulação destes diferentes estudos de caso fornece algumas pistas para explicar os processos de transição para a produção e uso de MNT, sua difusão massiva nas sociedades contemporâneas e seus possíveis impactos em termos de vigilância digital e controle social.
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